A Dependência

AVENIDA MIRANDELA ESQUINA COM GETULIO DE MOURA EM 1929

Avenida Mirandela esquina com a Av. Getúlio de Moura em 1929.

Cansado de fazer o papel de tutor das terras de Engenheiro Neiva, o município de São João de Meriti entrega as terras para Nova Iguaçu.

O ato foi consolidado através do pedido do Deputado Manoel Reis, assim o povoado, através da Lei nº 1.332, datada de 9 novembro de 1916, passa a ser o 7º Distrito de Iguaçu.

A população aumentava e com esse aumento também começaram a surgir as primeiras lojas.  A primeira loja foi a Padaria São Matheus. Aos poucos as coisas iam se completando.

Pensou-se então em meios de transportes, já que até então só se podia contar com o trem, burros e charretes. Uma companhia de Nova Iguaçu, a pedido dos homens importantes do lugarejo, instalou então bondes puxados a burros, que circularam por vários anos, na atual Avenida Mirandela.

A Companhia Carril Melhoramentos de Iguassú, de propriedade dos senhores José Victor da Rocha, Augusto Balsemão e José Maria Campos, iniciou suas atividades com os bondes de tração animal, adquiridos da antiga Companhia Jardim Botânico, do Rio de Janeiro, onde foram substituídos por vagões movidos à energia elétrica. Os trilhos foram estendidos ao longo da Avenida Mirandela e após alguns meses de trabalho, no início de 1917, uma festa marcou a inauguração do bondinho da Companhia Carril, como era mais conhecida.

PRIMEIRA ESCOLA PÚBLICA DE NILÓPOLIS

A primeira escola pública de Nilópolis.

A linha tinha 1.200 metros de extensão e ia do início da Avenida Mirandela, próximo à estação, até a Praça Trajano Louzada. Tão logo começou a operar, a linha já sofria com problemas: os trilhos fugiam da bitola devido as chuvas, dormentes apodrecendo, despesas com empregados, animais velhos e desobedientes que levava o veículo a sair dos trilhos, obrigando os passageiros saltarem e o colocar no seu lugar. Após algum tempo, o desânimo e os inúmeros prejuízos, obrigaram os donos da Carril a arrendar o negócio para o Sr. J. Batista, que logo reformou toda a extensão dos trilhos e os bondinhos, comprou novos animais e conseguiu levantar a empresa, que mesmo assim, pouco depois foi leiloada por míseros sete contos de réis, devido a chegada dos ônibus da Viação Irene, de propriedade do Sr. Lúcio Tavares, que por serem mais confortáveis e velozes, atraiam mais passageiros que os bondes.

Em 1916, formou-se uma agremiação chamada “Bloco Progresso de Nilópolis”. Dai em diante tudo foi caminhando a todo vapor. Os grandes homens do “Bloco”, encabeçados pelo Coronel Júlio de Abreu, com a ajuda dos amigos políticos importantes do Rio de Janeiro e São Paulo, e tendo como presidente de honra Nilo Peçanha, trouxeram o serviço de abastecimento de água potável, igrejas, comércio, imprensa, pontes, ligando o lugarejo as terras de Anchieta; a primeira escola municipal e estadual e até um recenseamento que registrou nas terras o número de habitantes (5.183) e residências (1.352).

Rua Lúcio Tavares em 1932

Em 1921, já quase não se encontrava qualquer vestígio da velha Fazenda São Matheus, e o lugarejo Engenheiro Neiva já tomava formas de cidade. Então, através de um memorial do povo ao, então, Ministro da Viação, Pires do Rio, a partir de 01 de Janeiro de 1921, numa festividade inesquecível, onde estavam presentes a banda do Grupo Musical de Nilópolis, o coronel Júlio de Abreu e o Dr. Adolpho de Albuquerque, é mudado o nome para Nilópolis; uma homenagem do povo ao Presidente Nilo Peçanha, que muitos benefícios trouxe para as terras e que governou o Brasil de 1909 à 1910.

Por trás disso existe uma coincidência histórica: criador do Serviço Nacional de Proteção ao Índio, órgão que originou a Funai, Nilo Peçanha beneficiou uma cidade inicialmente habitada por índios Jacutingas. O nome Engenheiro Neiva foi então dado a um posto telegráfico em São Paulo.

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

Estação Ferroviária de Nilópolis em 1941. Foto: Divulgação

Um mês após o 7º Distrito de Nova Iguaçu receber o novo nome o fundador da cidade João Alves Mirandela, então com mais de 80 anos falece, após ver o seu sonho realizado. Da década de 20 até o final da década de 40, o progresso avança. Cria-se uma banda de música para alegrar as festividades. Sob a batuta do maestro Djalma do Carmo, a banda Lira Fluminense vai marcando com sucesso cada grande realização.

E as coisas continuam surgindo: uma linha de ônibus, ligando Nilópolis à São Matheus (em São João de Meriti), em 31 de Março de 1932 surge o primeiro Colégio Particular, era o então Ginásio Profissional de Nilópolis (atual Colégio Nilopolitano) que é considerado a primeira escola particular da atual Nilópolis, Cemitério de Olinda, Estação de Trem de Olinda, Agência dos Correios, pois as cartas iam para Anchieta, de onde os carteiros faziam a distribuição pelas ruas de Nilópolis, dentre outras. Em 1936 instala-se a primeira agência bancária, o Banco Lavoura. De autoria do escritor e jornalista Ernesto Cardoso, o primeiro livro é editado na nova cidade, contanto a história da vida de Nilópolis desde o seu início até o ano de sua publicação (1938). No início da década de 40, funda-se o Instituto Filgueiras, o Sindicato do Comércio Varejista de Nilópolis, o Esporte Clube Nova Cidade e o Colégio Anacleto de Queiroz.


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